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Conversas com Fábio Porchat e convidados à volta de uma mesa

Herman José, Francisco Teixeira da Mota, Guadalupe Amaro e Rita Marrafa de Carvalho são hoje os convidados do primeiro Só Como e Bebo. Por Acaso, Trabalho

Isabel Coutinho

Liberdade, medo, amor, morte, memória, viagem, fé e riso são os grandes temas de conversa — cada um por episódio e com diferentes convidados — no talk show Só Como e Bebo. Por Acaso, Trabalho, o novo programa de oito episódios do humorista brasileiro Fábio Porchat, que hoje se estreia na RTP 1, às 23h. E quer tratar temas complexos de uma maneira descontraída, mas não superficial.

Neste primeiro episódio, aquele que é um dos fundadores do colectivo Porta dos Fundos recebe à volta de uma mesa quatro convidados para conversarem e discordarem sobre o que é a liberdade. São eles: o humorista e apresentador Herman José; a jornalista Rita Marrafa de Carvalho; a activista Guadalupe Amaro e o advogado e cronista do PÚBLICO Francisco Teixeira da Mota. Em todos os programas, um chef cria uma iguaria pensada e inspirada no tema, e neste episódio o escolhido foi o pasteleiro Francisco Siopa.

Haverá sempre alguém que canta, neste calhou ser Herman José, com uma música da sua autoria apropriadamente intitulada Amanhã Faço Dieta, acompanhado pelo acordeonista João Palma (músico que entra em todos os episódios).“Um programa para se debater ideias”, como o definiu a cantora brasileira Fafá de Belém, que participa no episódio dedicado à fé e a cuja gravação o PÚBLICO assistiu. Uma conversa à volta de um tema em que, no final, não é preciso “chegar a uma conclusão”, como lembra Porchat, que além de moderar o debate à mesa passa também pela cozinha, onde conversa com os chefs e surge em rábulas intercaladas ao longo do programa.

Só Como e Bebo. Por Acaso, Trabalho é realizado por Ivan Dias, que também fez com Porchat a série documental Viagem a Portugal. O realizador partilha a produção com Susana Verde, que é também guionista com os brasileiros Danilo Nakamura e Dani Garuti. Para o realizador, uma das mais-valias de ter Porchat como moderador é ele trazer uma visão estrangeira. “Quando trazemos alguém de fora para olhar para nós, essa pessoa vai fazê-lo de forma cândida, mas com um olhar crítico de quem gosta. Porchat quer gostar de Portugal, mas não de forma incondicional. Ele quer gostar fazendo perguntas. E vai fazer perguntas que um português não faria. ”

Ao PÚBLICO, Porchat conta que não é muito de seguir o guião de perguntas que tem à sua frente durante a gravação, mas gosta de as ter ali ao lado. “Se o assunto travar, tenho outros caminhos na mão para eu olhar ali no cantinho”, explica.

Uma das discussões que mais o surpreenderam foi sobre a morte. “Achei que ia ser um tema muito pesado, triste, e esse era o meu medo. Mas foi muito leve e engraçado, mesmo sendo também pesado”, acrescenta. Os espectadores “se vão sentir participantes de uma conversa, numa mesa de amigos, comendo e bebendo, e não há nada melhor do que isso!”

Um talk show à mesa

Foi durante a rodagem de Viagem a Portugal, em que Porchat andou a percorrer os caminhos que o escritor José Saramago calcorreou para escrever o livro homónimo, que a equipa percebeu que um dos momentos mais divertidos do dia era o do jantar, em que todos se deliciavam com o stand up proporcionado pelo humorista em frente à comida.

Começaram a pensar num formato que resultasse em televisão. “Mas qual? Um talk show à mesa? Como é que se põem pessoas à mesa na televisão? Uma das regras básicas é que ter pessoas vestidas com riscas ou a comer não funciona. Como desconstruir tudo isso?” Foi esse o desafio, explica o realizador.

“Se calhar a comer, não, mas a comida podia vir no fim. Ou seja, o programa começa com o Fábio a entrar na cozinha e a dizer: ‘Chef, hoje o tema é liberdade, o que é que você acha que a gente vai fazer?’ Quando os convidados aparecem no programa, estão já sentados e o chef serve qualquer coisa de entrada para depois preparar o momento final.” Pelo meio, acontece a conversa enquanto se espera a refeição.

“Esse primeiro momento descontrai os convidados e o segundo momento é já de fausto da comida. Já a risada é fácil”, diz Ivan Dias.

O nome do programa foi retirado de uma resposta que o humorista brasileiro deu quando estava a ser entrevistado por Inês Lopes Gonçalves no 5 Para A Meia-Noite (RTP) em que disse em Portugal só comia e bebia e por acaso trabalhava. A frase passou a ser o mote. E os convidados não foram escolhidos aleatoriamente, são todos ligados ao tema em discussão.

Só Como e Bebo... é realizado por Ivan Dias, que fez com Fábio Porchat a série documental Viagem a Portugal

Guia Ecrãs

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2023-11-27T08:00:00.0000000Z

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