Missão impos do piloto que aterrou na AR durante o cerco de 75
Luís Araújo tinha duas missões: dar comida aos manifestantes e resgatar Henrique de Barros. O presidente da Assembleia chegou a entrar no helicóptero, mas foi retirado à bruta
Ana Sá Lopes Texto Rui Gaudêncio Fotografia
Nunca tivemos uma invasão do Capitólio como em Washington, nem parecida com a que aconteceu na sede dos três poderes em Brasília. O mais próximo disso foi o cerco à Assembleia da República pelos operários da construção civil, a 12 de Novembro de 1975, em que os deputados ficaram impedidos de sair do Parlamento e os operários entraram e passearam-se pelos corredores. A diferença com os acontecimentos em Washington e Brasília é que não houve violência dentro do Parlamento nem destruição do património.
É este o tema do livro de Isabel Nery Cerco ao Parlamento — Quando a Assembleia Constituinte e a democracia foram tomadas de assalto.
A grande novidade do livro é que a autora conseguiu um testemunho totalmente inédito, o do piloto do helicóptero que nesse dia foi encarregado de uma missão: dar comida aos trabalhadores. A meio, Luís Araújo recebe uma segunda missão que se revelou impossível de cumprir, a de resgatar o então presidente da Assembleia da República, Henrique de Barros. Só que esta missão falha — os trabalhadores arrancaram Henrique de Barros do helicóptero que o iria retirar do cerco e não o deixaram abandonar o Parlamento.
Luís Araújo tinha 26 anos. “Eu era um jovem tenente, já tinha feito a guerra em África. Mas o que aconteceu ali marcou-me muito. Eu esta
Política
pt-pt
2023-10-02T07:00:00.0000000Z
2023-10-02T07:00:00.0000000Z
https://ereader.publico.pt/article/281659669675707
Publico Comunicacao Social S.A.